Amostras Hemolisadas - Recomendações de sistematização e ferramentas de decisão de cancelamento ou aceitação de amostras e respetiva informação a fornecer ao clinico prescritor - Grupo de Pré-analítica da EFLM

23-09-2018

De forma generalizada o laboratório clinico é pressionado a fornecer "atempadamente e de forma clinicamente útil" os resultados laboratoriais, muitas vezes nas mais difíceis condições de colheitas em pacientes debilitados pela própria condição patológica, ou equipas de profissionais sobrecarregados nas urgencias, condições deficientes ambientais e/ou de transporte das amostras biologicas, ou outros fatores que ainda que possam ser extemporâneos mas que contribuem para à hemólise das amostras de sangue e que comprometem a segurança da decisão clinica resultante dos dados laboratoriais.

O Grupo de Pré-analítica da Federação Europeia do Laboratorio Medico (EFLM) emitiu um conjunto de recomendações e ferramentas de auxilio à sistematização da decisão de rejeição ou aceitação sob condição com informação de resultados provenientes de amostras hemolisadas e que podem ser consultados no seguinte artigo publicado na CCLM e de livre acesso : https://www.degruyter.com/downloadpdf/j/cclm.2018.56.issue-5/cclm-2017-1104/cclm-2017-1104.pdf  

Do conjunto de recomendações podemos destacar:

1- A observação/decisão do estado da hemólise da amostra, deve ser sistematizado em analizadores de forma a eliminar a subjetividade da avaliação manual/visual do profissional. Mesmo que com um possível erro sistemático, a avaliação automatizada confere um aumento considerável da precisão da avaliação do índice de hemolise e permite a emissão de comentários automatizados quando se aceitam os resultados sob condições.

2- Dependendo do índice de hemólise, o grau de interferência pode ser conhecido com alguma objetividade quando definido pelo fabricante ou por um estudo interno do laboratório.

3- Como ferramenta principal de decisão deve ser usada a capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes (ou reference change value RCV) como requisito clínico de aceitação ou rejeição dos resultados de amostras hemolisadas.

4- Assim, quando temos uma amostra com índice de hemólise tal que a interferência quantificada definida pelo fabricante ou estudo de validação no laboratório, não ultrapassa a capacidade de deteção de alteraçoes fisiopatológicas definida pelo laboratório (RCV) para a magnitude biológica provavelmente afetada, o laboratório pode aceitar a amostra hemolisada e reportar os resultados obtidos introduzindo um comentário automatizado indicando o sentido da interferência nas magnitudes biológicas afetadas (aumento ou diminuição). Interessante é a sugestão de colocar um comentário "ver comentários", no lugar do valor quando se suspeite que é ignorado o comentário na presença de resultado no local habitual do relatório do laboratorio.

5- Considera-se que os doseamentos das magnitudes biológicas estão fortemente afetados pela hemólise quando o aumento ou diminuição provocado pela hemólise é superior à capacidade de deteção de alterações fisiopatológicas relevantes (RCV) definida pelo labratorio para a magnitude biológica afetada. Nessas condições o laboratório não fornece os dados e introduz um comentário especifico que refira que a interferência da hemólise sobre a magnitude biológica ultrapassa o requisito clinico de qualidade analítica definida pelo laboratório.

6- No relatório do laboratório deve constar o grau/índice de hemólise na forma de g/L de hemoglobina

7- É desaconselhado o uso de formulas de correção dos resultados, devido à elevada imprecisão do impacto da interferência das amostras hemolisadas.

Esperamos que esta sugestão seja útil aos profissionais de laboratorio!

Jorge Pinheiro

Consultor Sénior